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Delta Machine - Resenha

Amigos, o fã Flávio Reis fez um resenha muito interessante sobre Delta Machine, e achei legal dividi-la com vocês:

Escutando faixa a faixa pela terceira vez, me sinto mais à vontade para tentar avaliar o álbum sendo crítico o suficiente. Ontem, para os que leram os meus posts, foi visível meu entusiasmo (eu realmente estava eufórico, kkkkk). A possibilidade de ouvir material novo deles, depois de tanto tempo me deixou mesmo muito feliz. Entre os 3 álbuns produzidos por Ben Hillier esse é o que mais me agradou de cara. É o que tem menos "areia" nas faixas, e em que os synths mais aparecem. Por esse aspecto considero Delta Machine um avanço. 

Dave está em excelente forma e hoje é um cantor melhor. Tem mais técnica do que no passado, pelo menos essa é a minha impressão. Martin continua perfeito como sempre nos vocais. A sensação que me dá é que eles estão mal aproveitados debaixo de tanta parafernália eletrônica. Outro dia depois de quase duas décadas assisti novamente o 101. É assustador o tanto que o Dave erra naquele show (e olha que ele passou por correções, inclusive a regravação em estúdio de alguns vocais). Sem contar que ele quase estourava a garganta cantando. Quem diz que o Dave piorou como cantor talvez deva assistir a essas apresentações com um olhar mais crítico, sem se preocupar com as reboladas dele e muito menos com a maldita calça branca, rs

Li críticas (as mesmas de sempre) sobre o eterno problema da pobreza das melodias no álbum. Convenhamos: harmonias e melodias nunca foram o forte do DM. Talvez dê para contar nos dedos os momentos em que eles brilharam nesse aspecto em toda a carreira da banda. Mesmo com Alan (que era músico de ofício) essa não era a principal característica da banda.

O que eles sempre fizeram como ninguém e ainda fazem com toda a categoria é criar ambientes sonoros, climas. Eu sinceramente não conheço nenhuma banda ou músico com tanta competência nisso. E nesse aspecto, mais uma vez, eles fizeram um trabalho primoroso.

O uso massivo de efeitos especiais está no DNA da banda, desde que começaram a experimentar com samplers em Construction Time Again. Então reclamar disso me parece meio ridículo. Se vc não gosta de efeitos especiais em músicas, nem deveria perder seu tempo ouvindo DM.

Heaven, na minha opinião, se hoje não é a preferida de todos que escutaram o álbum, é a que, a meu ver, vai permanecer. É uma linda canção e se eu fosse o produtor teria também apostado nela como primeiro single. Vem com aquele misto de melancolia e esperança que sempre me deixa maravilhado nas letras do Martin. E a canção tem um casamento perfeito com a letra. Me senti como na primeira vez em que ouvi Home (não digo que são canções semelhantes, mas sim em como me senti escutando)

Gostei de quase tudo no álbum, até da brincadeira que eles fizeram em My Little Universe, que certamente irá para o limbo rapidamente, rs. A única faixa que não me agradou desde o início foi Angel, que vem com todos os vícios do Hillier (suja, lenta, pesada e sem brilho) e com o Dave cantando de uma forma que pessoalmente não me agrada, me lembrando os momentos medíocres da banda.

Eles terem dito que o álbum era uma mistura de SOFAD e Violator me fez lembrar de um professor de genética da UFMG. Ele contava a anedota do cientista que tentou fazer um híbrido do jiló com a berinjela, no intuito de desenvolver um legume com as propriedades nutritivas do jiló, mas com um sabor mais palatável. No fim das contas conseguiu fazer um treco amargo como um jiló, do tamanho de uma berinjela, kkkk. Era óbvio que essa conversa era apenas para chamar a atenção para o álbum.

Algumas canções me remeteram ao Violator mesmo. Do SOFAD eu não senti absolutamente nada nesse álbum. Talvez um pouco de Blues em Slow, que aliás é um dos pontos altos do álbum.

Broken me impressionou de cara. Mas agora eu sei do que eu gostei: da limpeza dela comparado com o que ouvimos do DM na última década. É um retorno ao eletrônico, coisa que a maioria dos que estão aqui, aguardava com ansiedade há mais de uma década. Mas é uma música que vai perdendo a cada nova audição. Certamente não será single, assim como In Simpathy e Perfect no SOTU, que eram gostosas mas careciam de força para serem singles.

O lado show da banda está garantidíssimo com Soothe My Soul, Should be Higher e Soft touch / Raw Nerve. Essas 3, junto com Heaven são as minhas apostas para o setlist da Tour.

Adorei Alone, especialmente porque nunca tinha ouvido o DM explorar teclados dessa forma, com sons mais etéreos, o que se repete em The Child Inside. 

Me chamou a atenção a ironia de as músicas que eu mais gostei aparentemente serem composições do Dave. Discutindo com amigos cheguei à conclusão de que isso não é apenas imposição do Dave. Acho que se Martin estivesse realmente muito inspirado não haveria tanto espaço para o Dave. 

No geral minha avaliação é positiva, tem muita coisa boa sim no álbum. Nas mãos de um produtor melhor poderia ter sido muito mais. Falando assim parece fácil, mas temos de saber quem toparia trabalhar com eles, famosos por tornarem a vida de seus produtores um verdadeiro inferno. Quem assistiu o DVD bônus que acompanha o Deluxe Box do SOTU, deve se lembrar daquele trecho em que eles ficam horas (ou dias) discutindo a mixagem final de Wrong. É visível o sofrimento do Japa que faz a mixagem, kkkkkkk....

Eu gostei e aprovei. Achei um álbum digno do nome e da tradição do DM. Eles não fizeram menos do que eu esperava. Querer que eles produzam algo como o Violator, SOFAD ou Ultra é sadismo com eles e masoquismo consigo mesmo. Isso não vai acontecer nunca mais. As letras eu não avaliei, apesar de ter entendido boa parte. Prefiro estar com as letras em mãos para poder avaliar melhor. Agora é aguardar a tour e tentar aproveitar o momento, porque outro assim, com sorte só daqui há 4 anos.

Resenha e Texto: Flávio Reis

6 comentários :

Laine K | 19 de março de 2013 17:28

Nosso amigo Flavio Reis sempre muito coerente em suas colocações!

Luis Fernando.DM | 19 de março de 2013 21:04

Realmente a resenha dele ficou excelente. Abs.

Fábio Schulz | 21 de março de 2013 22:26

A resenha foi ótima. Já ouvi umas 10 ou 12 vezes nos últimos 3 dias. Acho 'Heaven' excelente, me remete a 'Condemnation'. Acho também que 'You Should Be Higher' é o ponto máximo do disco e a produção deste rapaz (o Ben) já deu o que tinha que dar no SOTU... Nas mãos do Alan, teria sido um trabalho bem superior. Tinha a esperança que ele colaborasse neste disco, mas não rolou. 'My Little Universe' e 'Goodbye' ficaram bem ruins pra mim. No mais, altos e baixos que variam com o gosto do cliente (ouvinte). Para os padrões dos últimos 15 anos, é um bom trabalho. Melhor que Exciter (é óbvio), no mesmo nível do SOTU e um pouco abaixo do PTA.

Abraços.

Márcio Rodriguez | 28 de março de 2013 16:10

Bom pra mim que gosto da parte Sombria,Gótica do Depeche Mode gosto do Ultra,Exciter e Playing In The Angel.Depeche Mode é pra se ouvir sozinho em casa deitado no sofa,ou de noite quanto mais sinistro melhor, Essa é a idéia da banda,alguns compreende outros não,"Welcome To My World ”é sonzeira,analisei essa composição e imagino um ser de outro mundo falando comigo,muito bom as vozes de Martin e do David no refrão "Bem Vindo Ao Meu Mundo" procurem a tradução,parem de ser tão exigentes,diante de tanta porcaria e mediocridade que ouvimos por ai,o Depeche Mode mesmo produzindo mal,ganha de mil...Welcome To My World,Welcome To My World....muito louco.....Heaven é boa,mas foge muito do estilo, eu escuto a faiXa 1 pulo a 2 e a 3 e sigo....ah ! escutem "All That's Mine” pena que ficou fora do disco principal e entrar como bonus track,lembra "Its No Go”do Ultra.....valeu Welcome To My World,Welcome To My World...puts essa musica gruda na mente hehe.

Márcio Rodriguez | 28 de março de 2013 21:20

Rapaziada de louco de médico e produtor musical todo mundo tem um pouco hehe...o que vcs querem que eles façam outro Violator ,outro Sofad ,outro Exciter, não da né gente ! se eles tivessem feito isso ! ai vinha a critica ah o Depeche Mode não sai da mesmice e tal ,Gostei Pacas De Delta Machine principalmente as Bonus Track ouçam "long time lie” muito massa,ah quem quiser ouvir Depeche Mode compre um som potente porque é peso demais brother muito grave ,a vizinhaça paga um pau eles perguntam que som é esse cara,que banda é essa o povo hoje esta sem cultura só no leke leke que bosta....Viva Depeche Mode !!!!!

Luis Fernando.DM | 28 de março de 2013 21:48

Marcio ganhaste um fã, concordo com todas as tuas palavras. Abs.