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101 - 25 Anos de um Marco!


O Depeche Mode não para, 1988 lançam 101, uma das mais ambiciosas turnês pelos EUA, tocando em inúmeros estados para um publico recorde de mais de meio milhão de pessoas. Eles decidem portanto, registrar isso em forma de filme e contratam D. A. Pennebaker, responsável por filmar grandes nomes como Bob Dylan e o festival Monterey Pop, para a direção do longa metragem. O registro e do 101º show da banda, encerrando assim a mega-turne no dia 18 Junho de 1988. Paralelamente, mostra um grupo de jovens que atravessam o pais para ver a apresentação do grupo. 101 foi lançado no Festival Internacional de Berlim e obteve bastante sucesso, principalmente pelo lançamento do álbum duplo de mesmo nome. Apresentação realizada no Rose Bowl Stadium, em Los Angeles, para um publico de quase 70 mil pessoas. Nele estão registrados os maiores sucessos da banda ao vivo num só show memorável e inesquecível, com grandes momentos de emoção e uma atuação impecável da banda, o Depeche Mode em total acensão no mercado americano tem registrado um dos shows mais marcantes da história da musica. Um dos destaques é a banda de abertura da parte americana da tour, o Front 242, que junto com o Tragic Error são os maiores expoentes do na época novo estilo New Beat.

Abaixo a entrevista de Andrew Fletcher para a extinta Revista Bizz na época do lançamento do Álbum 101:

Por que um disco ao vivo? Seria algum tipo de retrospectiva? Nunca pensamos no disco como o final de uma fase, fizemos centenas de shows nos últimos 8 anos, só na Europa existem 35 discos piratas do DM, achamos que tinha chegado a hora de lançarmos o nosso, não é que queríamos acabar com a pirataria, mas também queríamos ganhar um pouco nessa.

Pode não ser retrospectiva mas nele se encontram muitos hits da banda? É verdade quando lançamos uma coletânia com nossos hits " The Singles 81-85 " ali sentimos o final de um ciclo, com o 101 não sentimos isso por que foi uma turnê de 8 meses e nos estamos nos concentrando em estúdio para o nosso próximo disco e não tivemos tempo para pensar nisso, na verdade estamos olhando para frente e não para trás.

Vamos olhar para trás um pouco o q mudou nós últimos 8 anos? Ficamos mais ricos ( risos...). É difícil dizer acho que como grupo nos apaixonamos mais, é quase uma família, não só nós 4 mas todas as pessoas que trabalham com nos durante muito tempo.

No mundo pop onde fica o Depeche Mode? Humm.... Junto com Kraftwerk, New Order, Talk Talk, Nitzer Ebb e Front 242.

Sem duvida o Depeche Mode foi o responsável pela ascensão dos belgas do Front 242, quando os convidou para abrir seus shows em 87, como o Depeche Mode vê o New Beat e todas as bandas belgas pós 242? É estranho o cenário belga, até uns 2 anos não tínhamos vendido nada por lá, e derepente fomos tocar lá e foi inacreditável. A imprensa de lá até nos criticava por tocar musica eletrônica, mas o que ouvi do New Beat não me soa tão familiar é perigosa essa rotulação, nós nos classificamos como uma banda pop, e tenho certeza que o Front 242 não quer ser conhecida como uma banda de New Beat.

E o Acid House? É ótima para nos por que a base é eletrônica, é ótima para dançar mas não tem melodias, não há canções, é bom para discotecas, mas é o tipo de musica que nunca será ouvido dentro de casa, o House é empolgante, pelo menos é uma nova direção.

Muitas pessoas vêem o Depeche Mode como uma banda de Dance Music, no bom ou mau sentido? Não gostamos desse rotulo, a maior parte do nosso material é dançavel, não fazemos aquilo que tradicionalmente é dance music, fazemos música para a sala e para o quarto, se são tocadas nas discotecas ótimo nunca entendemos isso. Não é nosso foco.

Mas a musica de vocês funciona bem em uma pista de dança? É verdade mas isso coloca uma certa pressão em cima de nós, por que nem tudo que compomos é dançavel, como Stripped, quando lançamos nos EUA não vendeu nada bem. Por que nossa popularidade lá é baseada nisso, e ai quando vamos lançar algum compacto a pressão é grande nesse sentido, nos obrigando a resistir a tentação.

Qual o interesse de vocês no World Music? Ouvimos muito por que sampleamos muita coisa étnica, como musica Indonésia, por exemplo. Chamamos o Alan, nosso homem-etnico, por que ele adora esse tipo de musica. Mas sempre resistimos entrar nesse campo por que somos uma banda européia branca. Seria desonesto tacar uma rumba, não temos essas raízes.

Como surgiu a idéia do filme? Há ultima vez q filmamos um filme foi em Berlin em 1984, os fãs ficaram perguntando se seria lançado em vídeo, ai decidimos fazer isso com o 101, nos EUA com uma perspectiva totalmente diferente. A banda começou em 1981, estávamos em 88 e queríamos mostrar a cultura jovem americana, os jovens que vão herdar os EUA nos próximos 20 anos. No filme ha um grupo de jovens que atravessa o pais até Pasadena, é importante ouvir o que eles tem a dizer, nunca tinham saído de New York antes; foi por causa dessa nova perspectiva que convidamos Pennebaker, sentimos que ele seria um diretor interessante, foi bom ele nunca ter ouvido falar na gente antes, assim não tinha uma idéia preconcebida, ele tem 60 anos, num corpo de 40 e uma mente de 10 ( risos...) acho que ele se divertiu.

Vc assistiu o filme Rattle and Hum do U2 ? Não.

O q vc achou? Rattle é um filme de show mostrando poucas cenas por trás dos palcos, nesse ponto muito diferente do que vi em 101, sem duvida as cenas de palco são apenas um terço do filme, nosso objetivo era mostrar um pouco mais de nossas personalidades, e as coisas cômicas que acontece fora do palco. E ficou muito bom, a diferença do nosso filme e o do U2 é que o deles foi feito pela Paramout com um orçamento de 6 milhões de libras e o nosso foi financiado pela gravadora e custou umas 400 mil libras, o que representou um risco financeiro grande para nós. O U2 filmou todos os shows de sua turnê, nós só poderíamos filmar um. E era o ultimo show a pressão era enorme em cima de nós.

Uma das melhores cenas do vídeo é aquela discussão nos bastidores entre os organizadores sobre o dinheiro do show? É uma cena cínica. A industria cinematográfica americana é baseada em só uma coisa: dinheiro. Queríamos mostrar as coisas como acontecem, de um lado você vê o show. De outro uma monte de contadores trancados em um trailer discutindo quanto ganharam com a venda de camisetas, tudo isso também se encaixa na letra de Everthing in Counts.

No press realse do 101 há referências insistentes á musica eletrônica usada a serviço do pop, o que vocês pensam quando trabalham uma musica que está veio sair em compacto, essa vai tocar bem no rádio? É uma
boa pergunta Martin já escreveu 8 musicas do próximo disco, eu estava ouvindo em casa e pensei, "gostaria que essa sai-se em compacto". Quando você procura um hit singles vai atrás de uma faixa que seja mais acessível que o resto, por que quer atingir mais gente. Qual o sentido de lançar um disco que será comprado por uma centena de pessoas, o Martin escreve pouca coisa comercial, no ultimo só Strangelove era comercial, e invés de ir atrás do que é comercial vamos atrás da melhor musica do disco.

O que faz uma musica ser comercial? Uma boa batida, uma boa melodia e uma letra acessível...

Deixando de lado o aspecto comercial vocês pensam em como o produto final vai ser usado? Pensamos mas estamos sempre errados. Por exemplo a musica que gravamos como dance music não faz sucesso algum nas discotecas ( risos...). E quando fizemos Strangelove achamos que funcionaria bem nas rádios, mas chegou ao topo nas dance charts. Agora nós concentramos em fazer o disco e depois vemos o que acontece.

Quem escreve boas canções pop hoje? ( longo silêncio ) Sempre há muito poucos compositores bons, Vince Clarke escreve ótimas canções pop, sempre escreveu, Robert Smith é um gênio, e Morrissey é claro, só consigo pensar neles três no momento.

Existe propriedade no pop. Vocês sampleiam musicas de outros? Temos nossas regras, nós sampleamos sons e nunca musicas, é o que chamamos de "sampling criativo", podemos samplear uma bateria ou um sax mas sempre usamos acoplado em outro para formar um terceiro. Nunca sampleamos um riff.... Mas se fizerem isso com a gente não ligaremos seria muito hipócrita da nossa parte.

A imprensa inglesa insistem em ver o Depeche Mode como 4 garotos bonitinhos fazendo musica para adolescentes? No ultimo disco recebemos criticas favoráveis, mas ums 2 meses depois lembro de um critico ter dito que aquele mês foi muito fraco por isso o Depeche Mode recebeu boas criticas (risos....). Mas as pessoas vivem mudando de opinião... Agora o quente é ouvir Soul Americano, musica negra, esses negros de House Music se dizem influenciados por nós e isso consequentemente influência as pessoas por aqui. Lembram de Acid House no verão, uns 2 meses depois as discotecas não queriam nem saber de Acid, e começaram a tocar Soul. É sempre assim...

Faixas do Album:

Disco 1

1. Pimpf
2. Behind the Wheel
3. Strangelove
4. Sacred
5. Something to Do
6. Blasphemous Rumours
7. Stripped
8. Somebody
9. Things You Said

Disco 2

1. Black Celebration
2. Shake the Disease
3. Nothing
4. Pleasure Little Treasure
5. People are People
6. A Question of Time
7. Never Let Me Down Again
8. A Question of Lust
9. Master and Servant
10. Just Can't Get Enough
11. Everything Counts

Abaixo você pode ver o registro feito por D. A. Pennebaker e material do DVD 101:

2 comentários :

Fábio Schulz | 18 de junho de 2013 23:55

Simplesmente o disco que me fez ser fã do Depeche Mode!
Já conhecia duas ou três músicas (Strangelove tocava direto nas rádios daqui), mas o disco tocado do início ao fim foi uma experiência definitiva pra mim. Eu precisava conhecer as versões originais de cada música, como se tivesse que comprovar que elas eram tão boas quanto naquele show...
Daí em diante, não parei mais.

Luis Fernando.DM | 19 de junho de 2013 20:05

Fábio,
Esta tour projetou o DM para as massas, o meu álbum de estréia foi Music For The Masses, o progenitor desta Tour.