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Todas as Reportagens Sobre o Depeche Mode no Optimus Live

Culto a Depeche Mode no Optimus Alive


Os Depeche Mode eram o nome mais sonante da edição deste ano do Optimus Alive e o Passeio Marítimo de Algés encheu-se para assistir a este regresso aos palcos portugueses. A banda liderada por Dave Gahan esteve à altura das expectativas do público, que vibrou quase tanto com os clássicos da banda como com as canções mais recentes.

Em jeito de boas-vindas, o grupo arranca com "Welcome to My World", canção retirada de "Delta Machine", o seu último disco. Dave Gahan é recebido pelos fãs como um "personal jesus", disposto a ser adorado pela multidão. Colete brilhante, movimentos voluptuosos e uma dose generosa de teatralidade não deixam os fãs indiferentes - bem longe disso. Aliás, o líder do grupo britânico não precisa de muito mais para deixar o público em êxtase.

"Angel", também do novo álbum, foi a música que se seguiu, mas foi com o clássico "Walking in my shoes" que o público se manifestou efusivamente e entrou em sintonia com a banda."Precious", "Personal Jesus", "Enjoy the silence", "I Feel You" ou "A Question of Time" foram algumas das canções mais celebradas e entoadas pela multidão, que, mesmo assim, não renegou as canções do novo disco.

"Heaven", primeiro single do novo trabalho, foi bem recebida e já começa a ter um espaço de destaque nos concertos, concorrendo com alguns dos êxitos que pontuam os trinta anos de carreira da banda. "Soothe my soul" segue o mesmo caminho.

Líder nato, Gahan destila sexualidade e ensaia danças do varão no suporte do microfone. "Este homem é lindo", comenta uma fã.

Tantos anos na estrada fazem com que esta seja uma máquina bem oleada, apesar de a animalidade de Dave Gahan quase nos fazer acreditar no contrário. Bem mais contido é o teclista Martin Gore, que, timidamente, ocupa os vazios deixados quando Gahan sai de palco. Canta "Shake the disease" e "Home" e o público acompanha solenemente.

Crédito: Jornal da Manhã
Foto: João Girão - Global Notícias

A Idade Não Pesou aos Depeche Mode no Festival Optimus Alive

Os ingleses Depeche Mode deram um concerto no sábado, no festival Optimus Alive, em Algés, convencendo os fãs que a idade não pesa sobre um repertório com mais de trinta anos.
Apesar de terem lançado este ano «Delta Machine», abrindo o concerto com dois dos temas novos, Dave Gahan e Martin Gore resgataram do passado grande parte do alinhamento.
O vocalista, de 51 anos, foi parco nas palavras, mas não se poupou nas movimentações em palco, entre o sensual e agitador de massas, apelando à participação do público, como aconteceu em «Walking im my shoes» e «Enjoy the silence».

Crédito: Diário Digital / Lusa

Depeche Mode e o tecnopop que nunca morre

Os ingleses do Depeche Mode se entronizaram na noite deste sábado em Portugal como os reis do tecnopop, assegurando assim a obrigatória dose de maturidade ao Optimus Alive, um festival cada ano mais consolidado.

Com uma atuação carregada de sedução e dança, o vocalista Dave Gahan fez do palco seu reino particular no segundo dia do evento em Oeiras, a cerca de 20 quilômetros de Lisboa.
A banda que injetou o som sintetizado no pop há três décadas entoou as canções mais emblemáticas de sua carreira durante quase duas horas e com poucos esquecimentos.
A atuação, que atraiu mais pessoas do que na noite anterior, serviu também de apresentação de seu último disco, "Delta Machine", um trabalho eclético e minimalista.
O Depeche Mode começou o show com "Welcome to My World", canção que abre seu álbum mais recente e chamou com eficácia o público que ainda se aproximava dos dois palcos.
Em seguida Gahan pegou o microfone e cantou para um público de súditos ansioso para devorar alguns dos hinos eletrônicos mais dançantes das últimas décadas.
Em uma noite de temperatura amena, o clássico "Walking in My Shoes" começou a animar os espectadores, agitados pelo cinquentão Gahan.
Em um segundo plano, ficou o compositor, tecladista e guitarrista Martin L. Gore, que se dedicou a fundo em algumas músicas, como "Judas" e "Home".
O potencial dos novos singles da banda foi demonstrado com a dramática "Heaven" e a fogosa "Should Be Higher", nas quais o vocalista sempre balançava as quadris e interpretava seus frequentes gestos afeminados.

O Depeche Mode rendeu um tributo especial a um dos discos mais bem-sucedidos da banda, "Violator" (1990), com "Policy of Truth" e uma de suas mais sofisticadas canções, "Enjoy the Silence".
Depois vieram aquelas músicas que marcaram o início do grupo de Essex, como "Black Celebration", que deu nome a seu quinto álbum produzido em 1985.
Também não faltaram a melancolia dos teclados de "Precious" e as doses de eletrônica de "A Pain that I'm Used To", ambas canções do álbum "Playing the Angel" (2005).
O público só entendeu que chegou de verdade sua hora quando soou o começo lento, quase em câmera lenta, do solo de guitarra de "Personal Jesus", talvez a mais característica canção do grupo.
E embora "Home" tenha acalmado os espectadores, o público foi reavivado em seguida com "Just Can't Get Enough", o terceiro single da banda, e "Never Let Me Down".
O show do Depeche Mode foi precedido por seus compatriotas Editors, banda cujo cantor Tom Smith tem uma voz profunda como a do cantor Ian Curtis de Joy Division.
O grupo, que este junho lançou seu quarto álbum "The Weight of Your Love", fez um show sem excessos no qual não faltou a potência meteórica do single "Munique".
Algumas surpresas da jornada foram os portugueses do Oquestrada, um pop fresco e divertido feito com folclore autóctone.
O tom enigmático do evento foi do soul da dupla canadense e dinamarquesa Rhye, que souberam aproveitar a intimidade do segundo palco para apresentar seu álbum de estreia "Woman".
A sétima edição do festival termina neste domingo com os americanos do Kings of Leon e alguns grupos excelentes como o Alt-J, vencedores mais recentes do famoso prêmio "Mercury".

Crédito: Terra Brasil

A celebração dos Depeche Mode no Optimus Alive


A atuação dos veteranos embaixadores da pop eletrónica inglesa foi o momento mais ansiado pelos muitos que enchiam o recinto na segunda noite. O grupo respondeu com um concerto para as massas.
Terminou há pouco o concerto dos Depeche Mode no Optimus Alive, tendo o grupo saído do Passeio Marítimo de Algés claramente vitorioso. Durante duas horas celebrou-se toda uma carreira marcante na história do electro/pop, que não esqueceu sucessos mais remotos como Just Can't Get Enough (já no encore), passando por Personal Jesus e Enjoy the Silence (ambas amplamente cantadas pela multidão que os recebeu). O propósito da digressão que trouxe esta noite o grupo a Algés pode ser um novo álbum, Delta Machine (que não foi esquecido, ou não tenha o concerto começado com Welcome to my World e Angel), mas o que acontece num concerto dos Depeche Mode é a celebração de todo um percurso. Isso é feito sem que a nostalgia seja o único factor em conta, principalmente pela presença em palco do vocalista Dave Gahan, performer nato que foi feito para espetáculos para massas. Martin Gore teve, ocasionalmente o seu protagonismo, como aconteceu quando interpretou Home, no início do encore, mas é acima de tudo na figura de Dave Gahan (e na agilidade da banda) que o concerto dos Depeche Mode vive. Mais um momento de aclamação absoluta.
O grupo mais aguardado do segundo dia de Optimus Alive entrou há momentos em palco e, se ao final da tarde havia menos público que na véspera, o cenário alterou-se consideravelmente. À hora de entrada do grupo britânico a plateia era visivelmente maior do que aquela que recebeu os Green Day na sexta-feira. Os Depeche Mode iniciaram o concerto com dois temas do recente álbum Delta Machine, Welcome to my World e Angel, mas logo revisitaram momentos do seu passado, como Walking in my Shoes ou Policy of Truth, bastante celebradas pelos milhares de fãs que acorreram a Algés. Com um espetáculo visual apurado, o grupo revela competência na criação de um espetáculo pensado para as massas. Antes dos Depeche Mode subiram ao Palco Optimus os Editors. 

Crédito: DN Artes
Foto: João Girão - Global Notícias

A idade não pesou aos Depeche Mode no festival Optimus Alive

Os ingleses Depeche Mode deram um concerto no sábado, no festival Optimus Alive, em Algés, convencendo os fãs que a idade não pesa sobre um repertório com mais de trinta anos.
Apesar de terem lançado este ano "Delta Machine", abrindo o concerto com dois dos temas novos, Dave Gahan e Martin Gore resgataram do passado grande parte do alinhamento.
O vocalista, de 51 anos, foi parco nas palavras, mas não se poupou nas movimentações em palco, entre o sensual e agitador de massas, apelando à participação do público, como aconteceu em "Walking im my shoes" e "Enjoy the silence".

Crédito: Expresso XL

Alive: O Peso do Passado dos Depeche Mode


Os Depeche Mode inventaram um som e criaram uma fórmula ao vivo de grande sucesso nos anos 80 que já não conseguem largar. Os deuses da pop electrónica acabam de dar um concerto de duas horas no Alive em que continuam a repetir os mesmos números de showbiz de sempre, nos mesmos temas de sempre, em especial o mestre de cerimónias Dave Gahan.

A diferença dos últimos anos é a introdução de um baterista no quadrante sonoro, que em Algés deu mais músculo mas que retirou aquela subtileza misteriosa que apaixonou parte do mundo.

A entrada com 'Welcome To My World' foi suave, com a banda a ver-se apenas a olho nu sem o auxílio dos ecrãs laterais. Em 'Angel', os batimentos cardíacos das máquinas aumentam. Mas é 'Walking in My Shoes' (dos tempos de "Songs of Faith and Devotion") a primeira prenda a sério para os fãs que desejam os temas antigos. 'Precious' é uma das músicas mais famosas dos últimos anos dos DM a que o público também adere. O mais sombrio 'Black Celebration' é uma ida ao baú histórico mais antigo perante a surpreendente apatia da assistência. O também clássico 'Policy of Truth' soa mais velhinho e cansado no Alive. Também o vocalista Dave Gahan, de bigode ralo, apresenta um ar já mais envelhecido, apesar do descomplexo em exibir o seu corpo musculado e tatuado, que o colete aberto não quer esconder.

'Should Be Higher' é ilustrado por imagens de fogo de artifício. 'Barrel of a Gun' é afectado por um surpreendente ruído de hardrock de Martin Gore que assina logo a seguir um dos momentos da noite, ao dar a sua voz (bem menos grossa que a de Gahan) a um 'Shake the Desease' convertido a uma balada ao piano. Os mais recentes 'Heaven' e 'Soothe My Soul' arrefecem as temperaturas. Mas por breves minutos.

'A Question of Time' volta a pôr tudo em polvorosa, com Gahan a girar mais umas voltas velozes com o suporte de microfone mas o tema apresenta-se deficitário face ao potencial de outrora, ao contrário do ainda mais popular 'Enjoy The Silence' que mantém o seu charme austero intacto e que merece um brutal prolongamento. Para fecho, 'Personal Jesus', com a guitarra de Gore afinada para acordes rock & rollers, tem um começo bluesy até a discoteca do costume reacender-se.

Alguns espectadores menos avisados vão-se embora mas os Depeche Mode voltam para encore, como não podia deixar de ser. 'Halo' é executado com uma ornamentação mais cinematográfica. O mais orelhudo 'Just Can't Get Enough' põe toda a gente a dançar. As guitarradas de Martin Gore anunciam 'I Feel You', antes do momento final de glória com um mais desgastado 'Never Let Me Down Again' que, como sempre, provocou uma ondulação de braços no ar que ainda impressiona.

Crédito: Cotonete
Fotos: Vanessa Krithinas

Depeche Mode Foram Reis e Senhores no Optimus Alive

Ao segundo dia de Optimus Alive'13, os Depeche Mode foram reis e senhores de uma noite que deve ter estado muito próxima da perfeição para os fãs da banda britânica.

Quatro anos após o último concerto em Portugal, no Pavilhão Atlântico, Dave Gahan, Martin Gore e Andy Fletcher não deixaram de apresentar as novidades do 13º disco de estúdio, «Delta Machine», mas foi com os incontornáveis clássicos de uma carreira com mais de três décadas que conquistaram a vasta plateia de milhares e milhares que rumaram até ao Passeio Marítimo de Algés neste sábado.

Apesar da longevidade e da própria idade dos músicos (todos eles já passaram a barreira dos 50), os Depeche Mode não conseguem simplesmente entrar em modo automático e despejar hits e canções novas só para mostrarem trabalho feito. (...)

Crédito: TVi24

Celebração com Depeche Mode e introspecção com Rhye


Celebração colectiva com Depeche Mode, intimismo com Rhye, surpresa com o hip-hop dos Jurassic 5. Foi a noite de sábado no OptimusAlive, que termina este domingo com Kings Of Leon, Phoenix e Tame Impala.

 Os irresistíveis Vampire Weekend e o frenético circo rock dos Green Day
Confirmações, desilusões e surpresas. É quase sempre assim nas noites dos festivais. Não foi diferente, sábado, na segunda das três sessões de OptimusAlive, que registou muito público – não há números oficiais, mas estariam certamente tantas pessoas como o ano passado na noite dos Radiohead, ou seja, na ordem dos 50 mil.

A larga maioria estava presente para ver os Depeche Mode que, mais de 30 anos e muitas crises existenciais depois, continuam bastante activos. São até um caso singular na cultura pop, um daqueles projectos que mantêm características de culto minoritário, só que, no seu caso, capaz de conquistar milhões em todo o mundo.

Os últimos álbuns (o derradeiro, Delta Machine, foi lançado em Março) não acrescentam nada de significativo ao seu percurso, mas também não o comprometem. Exactamente o que se passa também em palco. Quando tocam as canções mais recentes, os indefectíveis mais próximos do palco reagem com emoção, enquanto os restantes se alheiam um pouco, mas quando os sucessos que todos conhecem são abordados existe uma reacção de celebração que é transversal.

Foi, por isso, um concerto inteligente, com uma primeira metade mais centrada em canções dos últimos tempos, com o grupo a ter de se desafiar a si próprio para conquistar a plateia, e uma segunda parte com mais êxitos, daqueles em que parece que a assistência puxa mais pelo grupo do que o contrário.

Esta não é, cenicamente, a sua melhor digressão (em comparação, por exemplo, com Tour for the Masses ou Devotional), mas a verdade é que o trio – coadjuvado por um baterista e um teclista – mantém intactas todas as capacidades.

Dave Gahan domina o cenário de forma endiabrada, rodopiando sobre si próprio, agarrado ao pé do microfone, ao mesmo tempo que se expressa numa voz potente e desenvolve movimentos pélvicos. O som da guitarra de Martin Gore, inspirado nos blues, é essencial, sem prescindir de alguns números solitários (em Shake the disease ou Home, acompanhado apenas ao piano), para expressar o baladeiro melodramático que existe dentro dele. O mais discreto é Andrew Fletcher, nos teclados, comodamente em segundo plano.

Os dinamismos rítmicos obsessivos, a rispidez emocional e, por vezes, o som mais musculado de alguns temas do último álbum, como Welcome to my world – a canção de abertura – Angel ou Soothe my soul fizeram-se ouvir, marcando a toada do concerto, mas o que dominou foram êxitos como A question of time, Enjoy the silence, Walking in my shoes ou Policy of truth. Diga-se que não se limitaram à reprodução, conseguindo surpreender na reinterpretação de Personal jesus ou A pain that i’m used to.

Na fase final, no encore, delírio geral com Just can’t get enough, enquanto I feel you e Never let me down again, serviram para que o público cantasse a uma só voz, confirmando que os ingleses continuam a fazer dos concertos momentos de celebração colectiva.

O alinhamento do palco principal foi bastante heterogéneo. Começaram os portugueses OqueStrada, com a sua mundividência da música popular portuguesa, com temas novos a prenunciar o novo álbum, seguindo-se os americanos Jurassic 5, figuras credíveis mas não determinantes do hip-hop na década de 1990, regressados ao activo recentemente, depois de meia dúzia de anos de interregno.

E surpreenderam. Quatro declamadores em palco e dois DJ (Nu-Mark e Cut Chemist) fizeram a festa, agarrando o público com sabedoria, através do balanço mais suavizado do hip-hop, com uma fluência vocal harmónica que nunca resvalou para a contundência.

A maior parte da assistência não conhecia certamente a música do colectivo de Los Angeles, mas deixou-se seduzir sem dificuldades. Se mais provas fossem necessárias, eis mais uma que torna incompreensível por que não há mais figuras de topo de linguagens como o hip-hop ou o R&B em festivais para massas em Portugal.

Depois do hip-hop, o pós-punk reactualizado pelos ingleses Editors, o típico grupo competente, com um vocalista carismático e algumas canções de cariz épico que ficam no ouvido, capazes de cumprirem bem com o papel de agitar a multidão, prenunciando os cabeças de cartaz Depeche Mode, mas que nunca chegarão à primeira linha.

No palco Heineken, realce para os canadianos Rhye, autores de um excelente álbum deste ano, Woman. Foram a surpresa maior da noite. Não tanto pelo concerto (precisam nitidamente de mais rodagem), mas porque a sua música voluptuosa e intimista, por vezes quase próxima do silêncio, gerou enorme empatia com quem assistia.

É uma música que projecta imenso espaço. A estrutura fundadora – baixo, bateria, teclados e instrumentos de cordas – é por vezes esquelética e a voz e presença de Mike Milosh (algures entre Sade e George Michael) é discreta. Nos momentos em que se lançam à improvisação, como se fossem uma formação de jazz, sente-se instabilidade, qualquer coisa que ainda não está totalmente consolidada. Mas, milagre, apesar da fragilidade, a coisa funciona.

Eles estavam nitidamente satisfeitos – “Nunca tocámos para tanta gente”, lançou às tantas Milosh – e o público também, principalmente quanto tocaram canções como Last dance, The fall ou Open.

Horas antes, no palco Optimus Clubbing, o projecto How To Dress Well, havia projectado qualquer coisa de semelhante, com Tom Krell a expor o seu falsete vocal ao serviço de uma sonoridade electrónica minimalista com momentos de enlevo orquestral, na linha do novo R&B. Às tantas, pelo facto de o som dos palcos adjacentes se ouvir ali, disse que gostaria de voltar para “um concerto a sério”. Nós também gostávamos de o ver e ouvir com outro tipo de condições.

Num festival deste género, com estímulos a surgirem de todos os lados, e com música a fazer-se ouvir em diversos palcos, por vezes de alguns concertos ficam apenas leves impressões: não vimos na totalidade o espectáculo de Paulo Furtado (Legendary Tiger Man), mas pelo que presenciámos não custa perceber que foi um dos vencedores da noite. O mesmo se aplicando aos portugueses Capitão Fausto, caso sério em palco, que o poderá ser ainda mais, quando a sua sonoridade for ainda mais personalizada, deixando de lado algumas influências, expostas, generosamente é certo, à flor da pele.

Referência ainda para os portugueses Throes & Shine, que actuaram no coreto da Red Bull Music Academy, expondo um som sincrético de grande energia, entre o rock e o kuduro. Não podiam propiciar uma celebração  geracional como os Depeche Mode, mas para as centenas de pessoas – a maior parte estrangeiros – que o viveram como se fosse o último dia das suas vidas, é capaz de ter sido o momento da noite. No OptimusAlive cada um leva a sua história para contar.

Crédito: Cultura P

Depeche Mode provoca enchente no Alive

Como já se previa, o segundo dia do Optimus Alive encheu-se de gente para ver os Depeche Mode e para quem esteve na noite anterior no Passeio Marítimo de Algés foi fácil perceber que esteve deverá ser o dia mais concorrido de todo o festival. Hoje à noite ainda há Kings of Leon e Tame Impala, mas apesar do rock de estádio dos norte-americanos e do psicadelismo dos australianos há veteranos que, independentemente das circunstâncias, revelam sempre a sua grandeza. Dave Gahan é exemplo máximo disso mesmo.
Aos 51 anos, o vocalista dos Depeche Mode está em excelente forma e continua a mostrar uma vitalidade muito própria em cima do palco. Irrequieto, dançante, sensual, é ele que concentra todas as atenções de uma plateia nem sempre atenta ao que se passa em palco, mas que, apesar da dispersão entre telemóveis, conversas com amigos e pedidos de cerveja aos vendedores ambulantes da Heineken, reage imediatamente quando Gahan as chama a si. E nem precisa usar palavras. Durante as quase duas horas de concerto, o vocalista raramente se dirigiu ao público, mas a sua comunicação corporal agitou, várias vezes, a vasta plateia que se concentrou junto ao palco principal.

Como tem feito em toda a digressão, a banda inglesa abriu o alinhamento com dois temas do novo disco, “Delta Machine”. Depois de ‘Welcome to My World’ ouviu-se ‘Angel’ e, daí para a frente, partiu-se à exploração de um repertório com mais de 30 anos. Os momentos altos da noite foram, inevitavelmente, quando o grupo visitou ‘Enjoy the Silence’, ‘Personal Jesus’, ‘Walking in My Shoes’ e ‘Just Can't Get Enough’ e a euforia instalou-se, com a plateia a entoar em uníssono todos os êxitos.

Antes dos Depeche Mode, o palco principal pertenceu à também banda inglesa Editors, que apostou num alinhamento que junta temas conhecidos - como ‘The Racing Rats’ e ‘An End Has a Start’ - com canções do novo álbum, “The Weight of Your Love”. Apesar de terem um número considerável de fãs por cá, a actuação foi muito pouco entusiasmante e grande parte da multidão preferiu ir espreitar os portugueses Capitão Fausto, no palco Heineken. E, de certo, ninguém se arrependeu.

Os cinco jovens de Lisboa, que se preparam para lançar o segundo disco de originais em Setembro, mostraram, mais uma vez, por que são considerados uma das mais interessantes promessas da música portuguesa. Consistentes, com um rock sólido de guitarras vivas e bem audíveis, a banda liderada por Tomás Wallenstein revelou uma energia e à-vontade em palco que cativou os festivaleiros.

Antes dos Capitão Fausto, a tenda do palco Heineken recebeu os norte-americanos Rhye, outra das actuações mais aplaudidas do segundo dia de Optimus Alive. Apesar da sua música melancólica e introspectiva parecer deslocada num ambiente de festival, a formação conseguiu prender a grande maioria dos que se deslocaram àquele espaço com a beleza das suas canções. “É a maior plateia para a qual já tocámos”, confessou o vocalista Mike Milosh, revelando que a banda veio “com uma semana de antecedência” para Portugal, porque o nosso “país é lindo”.

Crédito: Sol Sapo.PT

40 mil vibram com os Depeche Mode

A noite com mais público do Alive ficou marcada por um ambiente de festa, própria de grandes momentos musicais, e pelos festivaleiros que foram a Algés, sobretudo, para ver os Depeche Mode, o nome mais apelativo do cartaz de sábado.

 Cerca de 40 mil pessoas, esperaram, com calma contida, a entrada em cena da banda, quatro anos após a última passagem do grupo britânico pelo Pavilhão Atlântico, em Lisboa. ‘Welcome To My World’, convidou David Gahan no tema que abriu o espetáculo, retirado de ‘Delta Machine’ lançado em Março passado. Antes de atacar ‘Walking In My Shoes’, berra de forma emotiva: “Boa noite, Lisboa”. O público respondeu ao excelente ambiente que foi criado pela banda em palco.
Com um som bem mais agressivo do que os festivaleiros esperavam, os Depeche Mode não fizeram concessões. Os fãs corresponderam de braços no ar, efusivos nas celebrações a cada tema. ‘Black Celebration’, ‘Policy Of Truth’ e ‘Barrel of a Gun’ foram os primeiros grandes momentos do concerto.
Com o público ganho, voltam ao último trabalho com ‘Soothe My Soul’, seguido da versão remixada de ‘A Pain That I’m Used To’. O ambiente estava perfeito e tornou-se escaldante com o clássico ‘A Question of Time’. ‘Secret to the End’ dá lugar a ‘Enjoy the Silence’ e Gahan nem precisa de esforçar-se para cantar. A sua voz é substituída, logo aos primeiros acordes, pelo coro eufórico de milhares de vozes durante toda a canção. E só não sucedeu o mesmo com ‘Personal Jesus’, que encerrou o concerto, porque a maior parte não se apercebeu do início alternativo a um dos temas mais amados pelos fãs.
Já em ‘encore’, ‘Home’, em versão acústica, e ‘Halo’, introduziram ‘Just Can’t Get Enough’, imprescindível em qualquer alinhamento ao vivo dos Depeche Mode. O tempo esgotava-se, mas houve ainda tempo para ‘I Feel You’ e ‘Never Let Me Down Again’, com que encerrou um espetáculo que passou as duas horas.

Crédito: Correio da Manhã

Depeche Mode: Experimenta Estar no Meu Lugar

Há por aí muitas bandas que gostavam de estar no lugar dos Depeche Mode, de “andar com os seus sapatos", ou ao menos tentar, como diz um dos muitos hits entoados pelo coletivo no regresso aos palcos nacionais quase uma década depois.

Há por aí muitos grupinhos que gostavam de ser uma das “maiores banda do mundo” – e olhem que já basta os dedos de uma mão para as contarmos. Mas para isso são necessárias condições que nem todos conseguem. A estrelinha da sorte, claro. Muito trabalho também. Mas sobretudo um repertório intemporal, visionário quando foi originalmente relevado e portanto capaz de resistir ao passar dos tempos.

Que temas com 25/30 anos continuem a transportar-nos para outra dimensão, seja ela intimista/etérea, seja ela maquinal/dançável, é algo impressionante. O já citado Walking in My Shoes, Question of Time (em versão acelerada), Black Celebration, Just Can’t Get Enough, Enjoy the Silence e Personal Jesus (este com um arranque em registo bluesy e servindo de despedida antes do encore de 5 temas) explicam o culto da banda de Dave Gahan. À mistura com temas mais fresquinhos, derão corpo a um alinhamento perfeito (bem, se quisermos ser picuínhas faltou o People Are People, mas desta vez passa), servido por um mestre de cerimónias que, nota-se, ainda tem muito amor à sua arte e ao palco.

Dave Gahan – e também Martin Gore, ao seu jeito mais tímido como se viu em duas passagens vocais defendidas a solo – estão em forma. O vocalista, cuja voz foi a cereja no topo do bolo de um som tecnicamente imaculado (tal qual como nos discos), não parou de espicaçar o público e de rodopiar em palco com o seu ar atrevido. Nota 10 igualmente para a projeção vídeo, para os efeitos surpreendentes em palco, num cenário como que concebido por camadas. Na despedida I Feel You e Never Let Me Down Again, duas verdades absolutas no show de sábado no Passeio Máritimo de Algés onde estiveram mais de 40 mil pessoas.

Crédito: Deastak PT

Optimus Alive, Dia 2: Canções de Fé e Devoção


Ao segundo dia o palco principal do Optimus Alive recuperou o seu estatuto e recebeu dois concertos que vão directamente para a galeria de inesquecíveis, Depeche Mode e Jurassic 5 foram os autores da proeza em mais uma noite de clima pouco veraneante com casa cheia.

Após um primeiro dia em que quase toda a acção interessante se passou nas tendas, o segundo dia foi virado para o palco principal e a sua imensa plateia.

Depois dos portugueses Oquestrada terem aberto o dia pelas 18h00, o palco principal transformou-se num espaço de luxo para quem gosta de hip hop. Os Jurassic 5 vieram continuar o que os Beastie Boys tinham começado há uns anos mas agora com um grande (e alto) som e figuras de peso. Com quatro MC's e dois conceituados DJ's, Dj Nu Mark e Cut Chemist, os californianos deram uma valiosa aula de hip hop com instrumentais funk, rimas certas e beats irresístíveis. Não faltaram clássicos como «Quality Control», «Concrete Schoolyard», «Jayou» ou «Improvise». Separados desde 2007, este é o ano do regresso para os Jurassic 5 que pela amostra de Algés está a ser bem divertido e pode levá-los a novas aventuras. Ficamos a torcer por isso já que o concerto foi memorável.

Os Editors beneficiaram da enchente que os fãs de Depeche Mode proporcionaram na plateia de Algés. Sem trunfos de qualidade neste novo disco socorreram-se a hits para agarrarem um público que não regateou aplausos a momentos altos como a derradeira «Papillon», a melhor canção que os New Order não escreveram.

Pelas 22h00 os Depeche Mode sobem ao palco e deparam-se com uma multidão disposta a celebrar as duas dezenas de canções que iam desfilar.

Um alinhamento cuidadosamente escolhido equilibrou temas novos de «Delta Machine» com preciosidades como «Black Celebration», «A Question of Time» , «Enjoy the Silence» ou «Personal Jesus», estes últimos três em sequência arrebatadora. Depois um encore com «Home» em versão acústica, «Halo» (na remistura Goldfrapp), o muito aguardado «Just Can't Get Enough» que perto de nós chegou a provocar gritos por Suarez, ponta de lança do Liverpool que tem um cântico baseado neste tema em Liverpool, «I Feel You» e «Never Let Me Down Again» que fechou de maneira imaculada um inesquecível concerto. Uma viagem no tempo que tanto pode ser o presente electro dançante de «Delta Machine» como o passado do incontornável álbum ao vivo «101» dos já distantes anos 80. David Gahan, Martin Gore e Andrew Fletcher conseguem manter a imagem de sempre em palco e superam as melhores expectativas de quem os queria ver. Ao nível do melhor que já viu naquele espaço nos últimos sete anos.

Crédito: Disco Digital

Nota: Todas as reportagens em Português de Portugal.

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