ShareThis

Sintético, eu? Do Rock ao Pop, Músicos Recorrem a Sintetizadores Para Produzir Ritmos Eletronicamente Diferenciados


Iluminação psicodélica, rock progressivo e um parceiro cada vez mais presente na cena do pop e do rock mundial: os sintetizadores, aparelhos eletrônicos produtores de sons artificiais. A apresentação do trio Muse no primeiro fim de semana do Rock in Rio de 2013 ilustrou a forma como os novos instrumentos têm sido incorporados pelas bandas acostumadas a devotar atenção especial às - até então soberanas - guitarras.


Os sintetizadores eram inicialmente utilizados por bandas, ancoradas numa temática sombria e um estilo diferenciado que marcaram o final da década de 1970. Leia-se os alemães do Kraftwerk e os britânicos do Joy Division e Depeche Mode. Hoje, o synthpop (junção do rock e música eletrônica) encontra novos seguidores.


Exemplos de canções que unem os zumbidos promovidos pelos equipamentos a baladinhas eletrônicas estão no repertório de artistas como a dupla francesa Daft Punk, formado pelo duo francês Guy-Manuel e Thomas Bangalter, alcançou o Hot 100 da Billboard em maio deste ano com a música Get lucky - canção com 100 milhões de audições no Spotify e no YouTube. A produção é de Giorgio Moroder - especialista em sintetizadores e destaque da dance music dos anos 1970.que alcançou o primeiro lugar da Billboard em maio com a música Get lucky. A faixa integra o novo álbum do duo francês Random access memories, lançado neste ano e que conta com produção, entre outros, de Giorgio Moroder - consagrado produtor da dance music dos anos 1970, reconhecido pelo trabalho com sintetizadores.



Hurts persegue o ideal sombrio e melódico de bandas anteriores como Depeche Mode, no entanto, com uma pegada mais pop.


“Enquanto que na década de 1990 imperavam as guitarras, marca registrada do rock’n roll, na década anterior (1980), foi a vez dos sintetizadores, que hoje ganham uma reconfiguração pelas mãos de artistas mais pop como Daft Punk, The Killers e Lady Gaga. É só você olhar para os artistas que participaram do VMA (Video Music Awards, um dos maiores prêmios da música internacional) deste ano: a maioria utilizava sintetizadores nas canções. A música eletrônica domina de certa forma essa cena internacional, por isso os sintetizadores estão cada vez mais presentes”, comenta Leonardo Domingues (Léo D), tecladista do Mundo Livre S.A., e ex-integrante do projeto Máquinas na Pista.

O grupo formado por ele (Léo), William Paiva (tecladista) e Cecília Meira (vocais) fazia, no Recife, cover de bandas do synthpop clássico internacional como New Order, Depeche Mode e Eurythmics, entre 2000 e 2003. “Ainda hoje uso um sintetizador para executar canções. Fazíamos um som espelhado naquelas bandas, mas com um diferencial de arranjo com batida mais moderna, mais parecido com o da dance music dos anos 2000”, pontua Domingues.

Depeche Mode é uma das precursoras do estilo que dispensa apresentações quando falamos de sintetizadores. Banda de música eletrônica inglesa, é considerada grande influência de bandas de pop rock, como Linkin Park, e de outras de metal gótico, como a italiana Lacuna Coil. Em 1980, Vince, Martin e Andrew montaram a banda Composition of Sound, e passaram a usar sintetizadores, comprados e emprestados de amigos.


“O som dos sintetizadores casa com as letras marcadas pelo pessimismo em vigência na década de 1980”, comenta a coordenadora da especialização em cultura digital e redes sociais da Unisinos (RS), Adriana Amaral, responsável pela pesquisa 50 tons de synthpop. “Apesar de presente em diversos genêros, o synthpop se mantém enquanto nicho. Não é algo que toca com frequência nas rádios, mas se relaciona diretamente à tecnologia”, pontua. Quem concorda é o professor de comunicação da UFPE Jeder Janotti: “Os equipamentos promoveram não só uma diversificação de ritmos e sons, como também uma economia de recursos, já que hoje você produz conteúdo sonoro de qualidade pelo computador”.

“Os sintetizadores são encontrados até no heavy metal. Existem grupos que produzem um som com aquela temática mais sombria da década de oitenta como o Joy Division, enquanto outros abdicam de certos valores para serem mais pop como o pessoal do Daft Punk”, destaca Pierre Leite, tecladista da banda de rock pernambucana Chambaril.



Synthpop, e que diabos é isso?

Os sintetizadores alteram o timbre dos sons e produzem ruídos artificiais. A aplicação mais usual é para correção e voz. Eles também atuam para controlar a variação do som. As características mais comuns são:

- Associação a outros instrumentos, como bateria eletrônica;
- Produção de timbres mais crus, menos polidos;
- Embasam letras que discutem a questão existencial e amorosa: em geral, expressam sentimentalismo exacerbado;
- Bebem da literatura e do cinema de ficção científica da década de 1970, entre os quais, Laranja mecânica (1º filme com trilha sonora sintetizada do cinema).



Quer saber mais sobre sintetizadores e seu legado recomendamos com enfase o documentário Shynth Pop Britânia produzido pela BBC:   


0 comentários :